Imagine receber seu salário e perceber que grande parte do dinheiro desapareceu automaticamente da conta por causa de empréstimos bancários. Pior ainda: tentar cancelar os descontos e simplesmente não conseguir.
Foi exatamente essa situação que colocou o BRB no centro de uma investigação da Secretaria Nacional do Consumidor. O órgão determinou que o banco suspenda práticas que estariam dificultando o cancelamento de débitos automáticos relacionados a empréstimos bancários no Distrito Federal.
O que aconteceu com o BRB?
Segundo a Senacon, diversos consumidores relataram dificuldades para cancelar descontos automáticos feitos diretamente em suas contas bancárias.
Na prática, muitos clientes autorizavam o débito automático no momento da contratação do empréstimo, mas depois encontravam obstáculos — ou até negativa — para cancelar essa autorização.
O problema chamou ainda mais atenção porque, em alguns casos, os descontos comprometiam praticamente todo o salário dos correntistas.
Débito automático pode ser cancelado?
Sim.
O consumidor tem o direito de solicitar o cancelamento do débito automático. A autorização concedida ao banco não é definitiva.
Para a Senacon, impedir ou dificultar esse cancelamento pode configurar prática abusiva contra o consumidor.
Além disso, quando os descontos comprometem despesas essenciais da pessoa ou da família, a situação pode envolver superendividamento e violação do chamado mínimo existencial — valor necessário para garantir condições básicas de vida, como alimentação, moradia, saúde e educação.
O que a Senacon determinou?
O órgão determinou que o BRB:
- deixe de dificultar o cancelamento dos débitos automáticos;
- informe os consumidores sobre esse direito;
- disponibilize canais adequados para solicitação do cancelamento;
- cumpra as medidas imediatamente.
Segundo a decisão, o descumprimento pode gerar multa diária milionária.
Cancelar o débito acaba com a dívida?
Não.
Essa é uma dúvida muito comum.
Cancelar o débito automático não significa que a dívida deixa de existir. O contrato do empréstimo continua válido.
O que muda é apenas a forma de cobrança utilizada pelo banco.
Dependendo do caso, o consumidor pode buscar renegociação, revisão contratual ou até discutir possíveis abusos na Justiça.
O que fazer se o banco negar o cancelamento?
Se o consumidor enfrentar dificuldades, é importante guardar:
- contratos;
- extratos bancários;
- protocolos de atendimento;
- prints de conversas;
- comprovantes de negativa do banco.
Esses documentos podem ser fundamentais para registrar reclamações no Procon, na plataforma Consumidor.gov.br ou até para uma ação judicial.
Casos de superendividamento estão aumentando
Nos últimos anos, aumentou o número de consumidores com salários praticamente inteiros comprometidos por empréstimos, refinanciamentos e descontos automáticos.
Muitas pessoas acabam entrando em um ciclo financeiro difícil de romper, comprometendo despesas essenciais e a própria qualidade de vida.
Por isso, a legislação brasileira passou a oferecer maior proteção ao consumidor superendividado.
Como a Abreu Oliveira Advocacia pode ajudar?
A Abreu Oliveira Advocacia atua na defesa dos direitos do consumidor em casos envolvendo:
- descontos indevidos em conta;
- revisão de empréstimos;
- retenção excessiva de salário;
- superendividamento;
- práticas abusivas bancárias;
- renegociação de dívidas.
Cada situação deve ser analisada individualmente para identificar possíveis abusos e buscar a solução jurídica mais adequada.